03 fevereiro 2008

Experienciar


Que é assim fácil fácil não se pode dizer. Viver isto é de uma intensidade tamanha. Não têm nome, não é claro, não é leve, não é passivo, não é fresco e principalmente é de uma exigência enorme. Estou claramente a falar de mim. Do que ouço cá de dentro, do que olho e não sei se vejo, do que sinto e não sinto. É enorme. Agradeço ter por perto gente que reconhece e me ajuda a compreender, que conversa, que chama nomes, que elucida no perceber que a confusão realmente existe. Que o que é difícil está por aqui, e não é certamente na cor nem na história e muito menos no mais pobre ou mais esquecido. Este foi um desabafo sem risco depois de um dia pleno de acções e revelações, e quando tiver oportunidade e algo mais concreto secreto, conto-vos tudo. Está aqui e eu a vivê-lo! Boa cena.
Amanha vou para o Sul, e devo lá ficar 4 ou cinco dias,… e se até hoje, na capital, consegui vir duas vezes à net,… digo-vos até sexta ou por ai.
Hoje fez-se aquele brilhinho cá dentro. Os meninos da ARCAR não iam ter Carnaval, então ontem, numa daquelas inspirações e teimas à mim mesma, pensei e preparei uma caça ao tesouro. Muito atribulado ontem, nada de computador, muito menos impressora, net é impensável, material, cores, roupas, acessórios.. népias, ideias…raras e cheguei ao final do dia numa fuga rápida de bicicleta e quando cheguei junto ao mar as lágrimas saltaram-me dos olhos. Tinha tentado tudo e sempre com azares, impedimentos, dificuldades. E queria mesmo preparar alguma coisa, e queria mesmo não desistir, e nisto e enquanto escurecia deram-se uns telefonemas mágicos e amigos e passei do mim ao continuamos a tentar. Enche cá dentro conhecer as pessoas assim em entrega de coisas assim! E então hoje lá fomos, e preparamos, e fizemos e foi um espectáculo! Ninguém contava com a actividade, ninguém se preparou nada de especial, apenas se deu tudo que era possível ali e naquele momento. E foi a reacção, e foram os sorrisos, e foram as corridas e o ver quem ganha, e foram as apresentações do instante, e as pistas, e o brilho de orgulho, e as danças, e o assistir e o participar e os aplausos!!!! E aquela tão especial sensação que cresce o coração
E o suor constante continua, e os cafés e cervejinhas nos finais de tarde e nos sítios mais S. Tomenses, e as festas cheias de sorrisos nos bares, na praia, na rua... e as escapadelas para as praias mais longinho, e essas descobertas. e os cocos, e os táxi mota, e as boleias, e o todos os dias uma descoberta nova, e os carros de praça cheios de gente e sempre "puxar", e amanha, hoje porque afinal vim cá tentar por umas fotos, vamos sair de viagem rumo ao sul. Levo uma unica mochila pequena, a bicicleta e a máquina fotográfica. Vamos de transporte publico e com destino Jalé (praia, bangalow, tartarugas, e logo se vê). Xi a té já

01 fevereiro 2008

Voltem a minha chegada

Entre tanto e tão grandes assim são as amigas que vim aqui conhecer. São quase todas portuguesas que vivem em S. Tomé., e que vivem com o povo, no meio deles, para eles Que gostam em cada olhar, que cuidam, que trabalham e se esforçam para os ver melhor. E este foi mais um daqueles soprares de anjinho! E se este pode ter algum nome, é Joana. Viveram com a Joana aqui em S. Tomé; a super Joana que conheci e com quem vivi na Indonésia; a quem pedi uns contactos e …de maneiras que é assim, com elas tenho vivido o outro lado e tão especial. Os sítios mai lindos, os encontros de sorriso, as boas conversas de mulher, a disponibilidade, a hospitalidade, a companhia que não falha, a ponte para tanto lado, o tão importante “porto de abrigo”.E estas foram as primeiras palavras depois de uma semana no novo mundo. Quanta realidade crua, quanta visao de filme na pele, quanta distancia de tudo ai. .
Xi verde e humido para todos ai, e um ate ja sorriso e saudade

Olhar de arder

A cidade é um campo de sonhos.
As roças outro. Levar a nossa imaginação ao como seria ver isto tudo a funcionar, as pessoas a viver nestas casas, lindas, imponentes, as ruas bem organizadas, as praças e a harmonia do mapa desta cidade; e resta um abandono seco, destruição, descuido, quase se vê o fim; a luz, toda e qualquer que desaparece às seis da tarde e nada, não se vê mais nada, andar na rua é uma aventura; as estradas todas esburacadas, cheias de lama e os carros sempre amontoados da gente possível; a confusão ainda assustadora das multidões de gente na rua, nas praças, nas festas; as barracas/habitações improvisadas que aparecem entre a vastidão deste mato; os pés descalços e o calcar kms e kms carregados; as mães com as crianças nas costas, e mais a bacia enorme na cabeça, e mais os sacos de serapilheira em cada mão; e os meninos a tomar banho nos ribeiros enquanto os pais lavam o que houver para lavar; os homens esculturalmente musculados a treparem as árvores; e os frutos e legumes que nunca tinha visto nem provado, enormes, estranhos, coloridos, selvagens, naturais, infindáveis, desta terra: a jaca, o mamão, o safu, a carambola, a cajamanga, a dúzia de espécies de bananas, a fruta pão, a matabala,a isaquente, a mandioca, etc etc etc...

...e a imagem nunca chega




Quero-vos falar das surpresas que já tive aqui, e tudo inicia no como vim para S. Tomé, e no como quase todas estas minhas viagens, por nada especial se guiam a nao ser uma ou outra palavra, um ou outro chamamento,....e o que e certo e que podia estar noutro lado qualquer. Queria Africa. Decidi-o no dia 15 e no 23 já estava a arrancar. Não vim à procura de nada, não tinha quase nada marcado, não conhecia nada deste país. E então, e fazendo um resumo tão rápido quanto possível: ...Vim pousar na casa de S. Tomenses que não conhecia, foi um contacto encontrado miraculosamente e feito 4 dias antes de chegar. É de um amigo que o meu pai conheceu na tropa há quase 40 anos, e então, vim viver exta experiencia com eles. São família típica africana; vivem no bairro do kilombo, numa casa modesta mas suficiente para os 8 actuais habitantes e aberta a mais gente; cheia de tão especiais rotinas, muitas delas vindas das roças, todas tão deste povo; e a música logo a abrir pela manhã; e tudo a varrer, tudo a cozinhar, tudo a trabalhar largo; e os gestos respeitadores e obedientes; e os serões a ver a televisão, etc..! No mesmo dia em que cheguei vim conhecer os sítios onde poderia vir ajudar. ARCAR, associação para a reinserção das crianças Abandonadas e em Situação de Risco…que mais poderia pedir??? Esta associação funciona em três centros, no Bairro da Mesquita, no Mulundo e na Liberdade e é a própria esposa do amigo do meu pai, a Senhora com quem estou a viver, Balbina, que é Directora, fundadora, mãe, chefe, tudo para estes projectos.O poder chegar e estar aqui é um privilégio e uma oportunidade que agradeço todos os dias, e para a qual peço energia e sabedoria para o melhor corresponder e o mais especial do deles e do meu preencher.

S. Tomé


…de maneiras que é assim!”
Acordei com o solavanco da aterragem no aeroporto internacional de S. Tomé. 6 da manha. Lá fora parecia enublado e restavam vestígios da última e recente chuvada. Por trás dos portões avistavam-se caras e cabeças que semanalmente, à quinta-feira, vem ver quem chega e quem parte, mesmo sem vir buscar nem trazer ninguém, só para ver.O primeiro contacto com este ar foi delicioso. O sol parecia querer furar entre as nuvens, sereno e leve, mas lá estava já a sorrir; o ar húmido e abafado levava-me o olhar para o verde, para todo o verde à volta, como se à procura do respirar daquela frescura; e quanta árvore, e quanta cor, e que calor. Cheguei!“
O Arnaldo, S. Tomense e amigo que o meu pai conheceu na topa há quase quarenta anos, veio-me buscar ao aeroporto. Eu, como sempre, tinha-me deixado ficar para ultimo na muito demorada fila de chegada a este país, e passado ai uma boa hora, lá apareceu ele, furando e passando entre todos os passageiros, levantando um papel escrito “Rita Santos” na mão, e então foi assim que toda a gente ficou a saber o meu nome, e foi assim que, tão surpreendida mas muito mais envergonhada, passei e cheguei mais VIP que nunca.
Levaram-se para casa e é lá que estou até hoje.
(estas são a cristiana e a elisa, estão a desmanchar o cabelo para o voltar a trançar, e como detestam não o ter preso!!. E olham para o meu e vê-se como gostavam de o ter. E eu pensei na bárbara e na isa, e em como tantas vezes o poderiamos trocar)

05 dezembro 2007

ATE JA

Andre; Ana Guida; Ana Oliveira; Ana Queiroz; Barbara; Ba super mae; Beu; Cate; Camila; Caramez; Dani, Kate e L.P.; Eureka; Gena; Gil; Go; Helder, Susas, David e Tiago; Isa; Joana; Juliana; Leal; Lurdes; Luisa; Minha Mami; Maria; Marta; Miguel; Nuno; Olivia; Papi e Joaoa Afonso; Pedro; Pedro bali; Reco; Sara; Sara minina; Sara bali; Shiva; Sofia; Su; Tiago; Tila; Xana; Zita, e mais todos voces que acompanharam a primeira etapa desta minha viagem,.. o meu xi mais que coracao e um obrigada tao especial, por todas as palavras essenciais, por todos os risos e sorrisos, por todos os olhares curiosos, por todos os pensamentos voadores e encorajadores,... pois todos voces estiveram comigo em cada passada dada nesta outra ponta do nosso mundo.
Assim vos digo ate ja, em termos de blog, mesmo nao sabendo muito bem onde... Africa, India, America Latina, veremos para onde me leva o bom vento... Rita

04 dezembro 2007

Estou a chegar!!!

Ja nem respiro so de pensar que estou mesmo quase a chegar... entretanto claro que nao tenho parado mas a minha cabeca ja vai mt `para onde me leva o coracao`, e e para ai que eu vou MINHA GENTE!! Ate ja!

Legendas quase rapidas

Depois de uma noite em Manly, NOITE,,, passei a manha e o dia a descobrir o lado norte de Sydney. Manly e zona de surf, a cada passo se encontram escolinhas com milhares de criancas de licras azuis e vermelhas a encher a agua de cor e a praia de `berros`. Mas para alem da praia facil foi descobrir a baia, e a agua deliciosa para nadar, e o fundo perfeito para mergulhar. E depois de uma manha cheia de sol, e ja quando trepava monte, as nuvens, os relampagos e a chuva apareceram, e eu tinha mesmo parado num spot particular especial para um almoco na baia. Este e o harbour de mamly, e foi onde cheguei ao por do sol para me encontrar com o `fixe Pena nao ter tirado fotos daquela hora, mas imaginem um final de tarde de domingo, chegar onde nada conhecia, ter que procurar quem ja nao recolhecia, e este lugar estar cheio, cheio de luzes, de musica, de gente linda, so trintoes surfers, tudo em boas conversas, bons copos e boa energia de principio de semana. Mas mesmo mt povo em autentica festa... tal e qual os nossos domingos hem?
E mais uma vez descontraida, a ultima da hora, liguei para a eilith a ver se sempre gostava de ir passar um dia as blue mountais, ela disse que sim e marcamos para as oito do dia seguinte na central estation, perfeito! entao o cenario que se apresenta de seguida sao as colossais blue mountais. `.A duas horas da cidade, num comboio 3 andares, aqui fomos nos rumo ao `countryPassamos 5 horas no meio das montanhas, entre trilhos e caminhadas, paragens e gargalhadas, descansos e escaladas, completamente absorvidas por aquela imensa massa de natureza. Foi lindo! Claro que perdi os meus oculos numa mina onde paramos para as fotos, e claro que so dei por ela ca em cima, depois de uma viagem de subida completamente na vertical, ao som de indiana jones,que durou 2 min mas que custou 10 dolares. O que e certo e que os senhores simpaticos la me deixaram descer e subir e quando me viram cheia de estilo com os meus glasses ficaram todos contentes. Fizeram a boa accao e eu viajei 3 vezes pelo preco de uma, e ainda tenho os oculos mais que super hiper resistentes!! O dia estava espectacular, a paisagem foi de assombro e a nossa investida de coragem,.. e estivemos onde era suposto estar, apreciamos cada passo na floresta, inspiramos cada um dos ioes negatif, tentamos captar em fotos todo este manto verde e azul, e aqui sou eu e as `tres irmas`, que diz a lenda serem tres bruxas convertidas em rocha, isoladas e expostas ao povo, paea sempre, neste miseravel estado...e as tres horas estavamos esfomedas. Completamente.Entao aqui aparecemos nos, em plena siesta em frente a um hotel de luxo, depois de um almoco divinal numa casa vegetariana, linda, no meio desta terra de noma katoomba!

01 dezembro 2007

O que ja vi

De proposito, claro, para o meu pai, joaoa afonso, irmao nas africas, a barbara, a isa, e essa gente que reconhece estes gestos de tao familia.
A casa onde estou fica a 10 min a pe da praia de Coogee, que vai dar para nadar tanto, quando ja tiver visto e sentido suficientemente a cidade e quando esta chuva que chegou so para enervar parar... e mais sorte... depilacao - take dois, tambem com uma portuguesa conhecida da prima Sao... Entretando, de investidas se faz a semana. Corri todas estas praias, e baias,e Harbours, e passei a monumental ponte, e passeei pela costa norte, mais praias, mais bairros e casas de luxo, mais parques centenarios, mais corridas de cavalos, mais Opera House vista de todos os angulos, e o Rocks, e algumas das ruas adentro nesta tao `alta` cidade......Aconteceu depois de uma manha de mercado do peixe (que de parecido ao de Bali so tem mesmo o nome), e uma tarde de descoberta e orientacao mapa cidade, ... e passo-vos o contente que fiquei com uns contactos que me apeteceu fazer, enquanto parava numa bela praca, e de onde surgiram uns encontros tao bons como surpreendentes Liguei para uns amigos que conheci durante a viajem, mais precisamente quando percorria terras do norte, e que vivem aqui. E tal sorte encontrei a Eilith (Escocesa) na Martin Place e tivemos a tarde toda numa de gargalhadas e copos e alguns planos possiveis para a semana,... E mostro-vos a catedral,... e mais uns miradouros secretos desta terra... e dos unicos onde so mar se adinha pela frente,... e eu na torre central,... E mais uma vez a imagem da cidade construida sob a natureza. Em cada esquina se encontra um jardim, por tras de cada palmeira se vislumbram predios gigantes. E as arvores carregadas de morcegos, que de longe parecem frutos, gigantes. E este contraste,......este meio cidade meio selva, meio tudo meio nada, onde tudo e limpo, tudo e civilizado, tudo e plenamente organizado e sinalizado, tudo e facil, ou parece, e ao mesmo tempo seco de historia, de tradicao, esta e um pedaco da australia que levo de imagem
E o `Fixe`, outro amigo com quem sai algumas vezes em Bali, liguei e vou estar com ele ja amanha, num por do sol em Manly, mais uma data de amigos mais que super lindos numa experiencia de social em autentico OZ !!!

Sydney, recta final

Assim me encontro na recta final desta primeira corrida.
Cheguei de noite e desta vez acordada vi a cidade do ceu. Minha nossa quanta luz, desbulbrou e cativou e chegou a fazer rir quando cheguei a porta do aeroporto... semelhante transito, correrio, buzinas, telemoveis, semaforos... plenas onze da noite.Vim ficar com a familia de uma prima da minha mae, Saozinha, que emigrou para a australia ha mais de 40 anos e que aqui fez familia, casa e vida, e apesar das idas pontuais a portugal, por aqui ficara, assim, saudosamente, acredita. Entao vim pousar na casa do Emigrante, no verdadeiro sentido, e tinha que ser mesmo numa viagem destas para isto acontecer. Fui e estou a ser mesmo tao bem recebida, e a minha cabeca e a minha consciencia tem viajado por onde nunca imaginariam passar!
Nao nos conheciamos, nunca tinhamos falado, esperava no aeroporto e relaxada como me encontro, sabia que nao ia ser dificil o identificar, e ao aproximar-se o carro da cor que tinham dito (porque marcas comigo nao vale a pena), o vidro baixou e eu vi os olhos da minha avo rosa, os olhos da zita...foi dentro o arrepio.
Sao tao delicioso estes primeiros conhecimentos, o chegar em casa, e ao quarto, e ver tudo preparadinho,...o apresentar a familia, o aperceber tentar acompanhar e entrar no ritmo da vida destes, as conversas de inicio, as lembrancas e os lacos... e o que e certo e que acho que estamos todos a desfrutar de um muito bom encontro!
Os dias em que nao trabalharam levaram-me a passear, os seus tempos de descanso fizeram-no comigo, mostrando-me com relatos pessoais a sua Sydney,.. e mais as comidas deliciosas, e o sempre `ta tudo bem?`, e o respeito e ao mesmo tempo admiracao mutua nas nossas diferencas, incansaveis,... simplesmente acolhedor.
E sempre o anjinho comigo,.. desta vez e o Luis (marido da Sao) que me emprestou a maquina fotografica, e hoje ainda nao ha nada porque nao encontro aqui a entrada USB, mas amanha ou depois mostro-vos esta potencia...